Basta ligar a televisão ou o rádio, ou até mesmo passear pelas ruas de uma cidade portuguesa, para perceber que a cerveja é omnipresente, acompanhando os grandes eventos nacionais, sem precisar de se impor. O povo português é um ávido consumidor do “néctar dourado”, e a publicidade apenas o puxa, ou tenta puxar, para um lado ou para o outro.Magestic_café (1)

Os registos mais antigos da produção de cerveja datam de há mais de seis mil anos. Portugal é um país mais recente, mas desde há séculos que existem referências ao consumo desta bebida fermentada. As tabernas da Idade Média já serviam a cerveja nesses tempos – um produto não fermentado, normalmente espesso e com um aroma intenso.

A produção cervejeira moderna iniciou-se no século XIX; no seguinte, com a ditadura e o controlo total impostos pelo Estado Novo de António de Oliveira Salazar, tornou-se algo monótona, sem variedade.

Com um acesso muito limitado ao que vinha do estrangeiro, o povo português não tinha termos de comparação, e a cerveja disponível continuava a ser consumida como habitualmente, sem que se exigisse mais e melhor.

Após o fim da ditadura, o país teve muito mais com que preocupar-se, daí que apenas na última década e meia – mesmo sobrevivendo à recente crise económica – se começou a perceber que não são necessários grandes meios, que não é preciso estar em Nova Iorque, Londres ou Paris para se poder apreciar a boa comida e, por consequência, a boa bebida.

A recente revolução no panorama gastronómico português arrastou consigo os apreciadores da boa cerveja. Esta deixou de ser meramente uma bebida de tasca, esplanada ou restaurante “do povo” e, com as novas variedades de cerveja artesanal, passou a alçar-se ao nível dos melhores vinhos. As cervejas “gourmet” acompanham hoje os pratos mais requintados nos melhores restaurantes nacionais.